segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tudo

Fazia tempo. Estava sentada na mesma praça de seis meses atrás. O clima estava diferente. O céu continuava azul, havia nuvens, sol, mas o ar estava gelado. Outono. Sempre fui do tipo que gosta do calor, mas a vida, apesar de me tornar mais dura em certos aspectos, me tornou maleável em outros. Aprendi a gostar do frio por motivos fúteis. As roupas mais elegantes, a presença do sol. Calor confortável. Frio bom, até certo ponto.
Me sentei no mesmo banco, sem perceber. Me dei conta de tudo. Das sensações daquela época. Do frenesi de estar começando algo novo, da alegria. Me lembro de ter respirado fundo e olhado para o alto desejando que aquilo me ensinasse muito, que fosse a decisão certa. Fiquei tanto tempo nestes seis meses aprendendo e me tornando alguém melhor profissionalmente que não pude ver o quanto isso foi certo, de verdade.
Ali, sentada, respirei fundo novamente. Olhei para cima. O sol mudava as cores das folhas no alto. Tudo silenciou. O cheiro familiar na minha roupa. Cheiro de casa. O conforto do lugar. Me encontrei, finalmente. Depois de tanto tempo perdida entre vontades, deveres, direitos. Eu estava ali, inteira de novo. Sorri. Estava inteira porque percebi que tinha tudo o que sempre tive e ainda mais. Conquistei muita coisa nova, aprendi a manter as antigas. E nada é mais importante agora do que isso.