quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Aos pais de sempre, para sempre

O que sou eu? Ou a pergunta seria quem sou eu? Geneticamente sou uma mistureba de vocês dois que deu certo. Mas e o resto, onde fica? Em que parte do meu todo entra a verdadeira Camila, aquela que vai além da ciência, sem desprezá-la. O todo é bem maior. Sou resultado de anos, de vidas, de encontros. Sou feliz porque no exato momento em que fui gerada vocês estavam felizes. A felicidade é só questão de ser, mas não depende só do meu ser. Há quanto tempo estamos caminhando juntos, não sei. Sinto que por mais tempo que seja nunca será demais. Somos compatíveis, somos eternos. Não importa o quanto eu cresça, o quanto eu possa evoluir, sempre serei a filha, sempre serei o foco da proteção, do amor. Mas hoje eu posso devolver amor com conhecimento, posso tentar entender as brigas, as preocupações, os porquês. Hoje consigo avaliar as afinidades e transformar nossa relação em algo melhor.


A minha mãe


Posso regar todo dia a intimidade incondicional entre nós duas. Posso te amar ainda mais que antes, porque tenho a segurança de saber que fomos feitas uma para a outra. Não só sentir, mas saber que sinto. Finalmente, depois de tantos anos começamos a nos desentender, como mãe e filha, como melhores amigas, como confidentes. Ás vezes dói, mas é preciso. Precisávamos de um equilíbrio na nossa balança, de algo real, normal. Não se afaste de mim, não tenha medo que eu me afaste de você. Eu não vou a lugar algum. Entenda que os dias vem e vão, alguns ruins, alguns bons e outros melhores do que se espera. Então caminhe comigo, mesmo que minhas mãos sejam dadas a outras pessoas que inclui em minha vida, você sempre será a dona de uma das mãos que me guiam e isto nos torna eternas. Esta é uma verdade absoluta para mim. Como as "coincidências" da vida, como seu próprio nome diz: Vera, de verdade.


Ao meu pai


Do herói infantil ao homem de carne e osso. Muitas histórias, muitas descobertas. Seu choro há muitos anos atrás o tornou humano para mim e talvez, a partir daquele momento, mais próximo. Com o tempo você deixou de ser só meu pai, de me carregar e se tornou um amigo. Hoje somos mais do que no dia do meu nascimento. Somos complemento e divisão. Temos conversas profundas sobre vida, morte e medos. Meu ouvinte. Mas bem lá no fundo, ainda é um herói. De todas as suas conquistas, suas e da mamãe, posso dizer sem sombra de dúvida, sem falsa modéstia e sem querer parecer arrogância, que eu e a Carol somos as maiores. Porque apesar de tudo, nós somos a evolução da espécie. Vocês conseguiram nos passar quase na totalidade tudo o que quiseram até hoje. Valores familiares, valores de vida, amizade, cumplicidade. Ainda há muito para aprender, mas tenho certeza que somos especiais, que existe aquele toque a mais que herdamos de vocês.


Obrigada pela irmã maravilhosa que me deram, que ás vezes tenta ser minha mãe e meu pai e que com certeza, será a pessoa que nunca me abandonará nesta vida, depois de vocês. Desculpe se ás vezes minhas escolhas ou atitudes os surpreendem, ou até mesmo decepcionem. Estou criando uma certa individualidade, tentando ser alguém que caminha com as próprias pernas, em vários sentidos. A essência será a mesma, só estou somando, não quero substituir nada, nem ninguém. Espero que no momento certo, no fim - se esta for a expressão correta - a gente se entenda por completo. Enquanto isto, obrigada por tudo, por ontem e por hoje, por sempre.


Por amor e com amor,


Mi.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Veredicto

Quanto mais a gente cresce mais a gente aprende que não sabe nada. Cheiro a leite. Leite de peito. Não sei cuidar de mim, finjo que sei para não assumir minhas fraquezas, meus choros escondidos. Quando a gente cresce tem disto também. Desaprende a chorar, a reclamar, a pedir ajuda. Espera a situação chegar no limite e até lá finge que acredita em si mesmo. Finge situações corajosas em que se fala o que pensa na hora que pensa. Mas na hora "h" o bicho pega. A garota extrovertida, falante vira menininha que não sabe completar frases, se perde em pensamentos. O fracasso da revolta é assentir o contrário depois de um breve "não vai dar" ou "você tem que esperar". Minhas ameaças caem por tabela. Não sou mulher de palavra. Não sou mulher, sou menina. Menina boba que se deixa levar, se deixa enganar. Menina que gosta tanto do que faz que esquece que no mundo real tudo tem preço. Trabalho tem retorno, principalmente financeiro. Com sorte, o trabalho bem feito traz reconhecimento. Com muita sorte. Quando a gente cresce descobre que o mundo é estranho e as pessoas são sujas. Gente é o bicho mais ignorante que existe. Tem medo um do outro. Como todo animal ataca. Não pergunta, não compreende, faz. No meio da confusão uns e outros se salvam. Andam em bandos de afinidades, interesses comuns. Se criam "famílias" em que se confia até certo ponto. Convive, divide e se vai. Os fios se ligam e desligam com tanta facilidade que quando o tempo passa é como se ninguém se conhecesse. Gente é coisa traiçoeira, segue as regras da necessidade. Usufrui, poucas vezes constrói. O resto do tempo vive como nômade. De galho em galho sugando um pouco da vida do ambiente, do conhecimento do outro. Quando se sacia, nem agradece. Só parte e fim. No meu mundo de criança eu não entendia nada e valorizava as coisas, as pessoas. Pedia ajuda, socorro, companhia. Mesmo entendendo o mundo continuo não sabendo nada. Ser parte disto me afasta e me atrai para mais perto de mim mesma: aquela de amanhã. Minhas palavras mais duras, meus sentimentos pequenos, minhas atitudes mesquinhas. Causa ou efeito? Não sei.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Auto-controle

Você diz que tem muito ciúme de mim. Eu nunca vejo nada. Eu vejo sua reação ao sentimento, mas nunca vejo o sentimento de fato. Seu auto-controle (treinado) me surpreende. Isto porque nem ao menos ando tentando te enciumar de propósito. Tem vezes que minha ingenuidade me envergonha. Solto as coisas em meus rompantes devaneios e quando vejo você já está daquele jeito.


Mas isto não é uma crítica ou reclamação. Muito pelo contrário. Gosto disto em você, gosto deste teu sentimento enclausurado, só te torna mais enigmático, interessante. Você diz que seu ciúme é estranho, constante e sem razão. Diz que o que mais te aborrece não é o saber, é a dúvida. Creio eu que na verdade o que mais te aborreça é sua imaginação, sua capacidade de escutar a frase A e transformá-la, em sua cabeça, na situação B. Nestas horas acabo rindo de você. Desculpa se te machuca, não é por querer...


Não quero mudar você, nem posso. Sei que não há nada que eu fale que transforme estas coisas que você sente tão intimamente. Eu aceito assim. Mas acrescento conhecimento de outros poréns.


Não há mais situação A, B ou C capaz de chegar as unhas do seu dedinho do pé. Não houve nada em minha vida melhor do que eu e você, do que aquele beijo no poste do PUB. Nada que eu possa ter vivido antes foi tão intenso como somos nós dois. Ainda sinto o coração na boca segundos antes de te ver. Só você me fez sorrir enquanto me beija. Pare de imaginar e viva agora.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rebelde sem calça!

Amor. A palavra está pendurada na parede do meu quarto há um par de anos. Todos os dias ela me encara. Manhã, tarde, noite. Ultimamente ela me vê demais. Meu quarto é meu exílio. Eu me exilei de mim mesma e do mundo porque me cansei. Cansei da desonestidade, da falta de emprego, cansei de dar explicações e principalmente: cansei daquele eu tão batido.
Cheguei no nível de estafa. Passei muito tempo na tentativa constante de ser o esperado. Por quem? Para quem? Me dei conta de que pouco deste tanto era para mim. E agora o vigente "grito de liberdade" está emperrado entre o peito e a voz. Não sai!!! Eu deveria ter sido uma garotinha má na infância e ter tido uma adolescência minimamente problemática. Assim hoje eu não temeria magoar as pessoas como se fosse a primeira vez, porque já estaria acostumada com a sensação.
A pior parte: a tal conquista pela liberdade não depende só da mudança brusca psicológica que provavelmente mudará minhas atitudes, mas depende também - e talvez até com maior importância - da independência. Depende da independência. Financeira. E mais um daqueles vários momentos em que se entende algo e o mundo dá um bom tapa nas nossas fuças. Sim, dinheiro é importante, o suficiente para ser indispensável. Nem por isto é a palavra que fica pendurada na parede do meu quarto.
Enquanto a ignorância é uma virtude, a mente vazia daquele que sabe mais do que gostaria é um inferno. Meus tempos livres são mal administrados. Penso o tempo todo e não foi Descartes que me ensinou que existo. Preferia sumir! Meu silêncio me enlouquece. Não há nada realmente interessante. Minha maior vontade é me esconder em um lugar tão bem escondido que nem eu mesma me encontraria, pelo menos por um tempo. Fico extremamente brava com facilidade, pelas coisas mais insignificantes.
Então, hoje eu fugi do exílio. Demorou, mas no meio do caminho, no meio do trânsito, os nós dos meus dedos segurando o volante se afrouxaram um pouco. Estava distraída. Uma criança ria muito no carro ao lado. Clichês. Antes que percebesse, estava sorrindo de novo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um recado para a saudade

15 dias. Ainda escuto teus passinhos no nosso piso de madeira. Ainda te procuro quando entro em casa distraída demais com outras coisas da vida. Certos horários do dia me apertam o peito. Você estaria ali, pedindo comida, lançando o focinho pro alto, tentando capturar os aromas da cozinha. Tem horas que vejo você nos pensamentos do meu pai, nos olhos da minha mãe, que diz seu nome algumas vezes ao dia, sozinha e fica com lágrimas presas na garganta. Como estas minhas agora. Tento entender como as coisas aconteceram. Foi tão rápido e tão devagar. Não sei se tive tempo de te mostrar o quanto te amo, quão grata sou por todos os dias em que me amou incondicionalmente. Sabe o que é pior? O silêncio. E o silêncio dentro do silêncio. Ás vezes, quando estou quase dormindo apuro meus ouvidos em busca da sua respiração, aquela forte e rápida dos últimos tempos. Era a certeza de que, dentro do possível, você estava bem. Sei que foi melhor assim. Você foi fiel a esta família o tempo determinado para se tornar infinita. Uma hora não vai doer mais e aí as lembranças mais fortes serão as dos tempos em que você corria ladeira abaixo no estacionamento, ou quando eu te abraçava enquanto dormia, o cheiro das suas patas de pantufa e os seus vários tipos de latido, um para cada coisa, ocasião. E aí nós vamos ficar bem por aqui e você por onde quer que esteja. Neste ponto a saudade vai se tornar aquele sentimento bom, gostoso correspondente a tudo o que vivemos juntos. Não se preocupe se eu chorar um pouquinho está bem? É que o ser humano é um bicho muito estranho mesmo, quando a gente não dá conta do que sente nossos olhos ficam meio molhados. Vai entender...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sim, eu mereço!

Ás vezes me pego perguntando como chegamos até aqui. Como cheguei neste ponto de conjugar os verbos na primeira pessoa do plural. Você é o todo de uma pequena parte "anarquista" minha, que busca a liberdade verdadeira, a zona de conforto (e encontra).
Me sinto incrivelmente bem ao seu lado, de uma maneira que nunca senti antes. Como se eu pudesse ser inteiramente Camila, mostrando partes do meu eu tão escondidas que surpreendem a mim mesma.
Nossa sinceridade e cumplicidade nos transformam em versões melhoradas dos antigos Napoleão e Camila. E eu mal consigo entender este sentimento todo. Te amo em todos os contextos, em cada detalhe. Imagino uma vida com você, em que as rugas, que hoje são apenas ligeiros sinais de linhas de expressão, vão se tornar profundas marcas do tempo e eu as amarei mais profundamente ainda, como se conhecesse todas as histórias por detrás delas.
Sou profundamente grata ao que quer que tenha influenciado você a olhar para mim em algum instante. Pode estar escrito nas estrelas, ser coisa divina ou do cupido ou simplesmente lei da atração. Não importa. Antes, achava sinceramente que não te merecia, mas hoje acho que tudo se encaixa.
Creio que cada pedaço de história que eu tenha vivido antes de você seja para que hoje eu mereça cada beijo, abraço e carinho seus. Ansiosamente esperados, desejados.
Eu só quero que você saiba que eu te amo, como nunca amei ninguém.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Danny


Você já assistiu o filme "Meu cachorro Skip"? Para quem nunca teve um animal de estimação ou, até mesmo, um bom amigo é só mais um filme de sessão da tarde. Para mim, desde a primeria vez que o vi, sempre foi uma das mais brilhantes traduções de amizade verdadeira. A história é simples: um garotinho e seu cachorro crescendo juntos.


A diferença é a essência. Ele não fazia nada de especial. Não participou do circo, não falava e muito menos foi à lua. Skip era sem sombra de dúvida o melhor amigo do garotinho e só. Foi o companheiro da infância, adolescência e juventude. Dedicou a vida inteira ao seu dono. Todos os seus melhores sentimentos e preocupações.


A Danny é meu Skip. Ela entrou na minha vida por conta de uma fita vermelha que tinha amarrada ao pescoço. Pequena e dourada, se destacava entre a nuvem de poodles. Eu a amei imediatamente. Ela não precisou fazer nada, apenas ser ela mesma. Tinha personalidade. Depois de muito choro amoleceu até o coração de um pai decidido. Foi meu presente de aniversário de 10 anos que se tornou o presente de todos os dias.


Seus choramingos noturnos combinados ao charme desajeitado de um filhote e à curiosidade interminável lhe renderam a posse de tudo: desde acesso irrestrito a casa até o amor incondicional da família. Carinhosa, ciumenta, meiga e geniosa. Sempre pareceu ter certeza que é uma pessoa e não uma cachorra. Sempre fez só o que queria e quando queria.


A Danny me ensinou que as melhores coisas da vida não tem muita explicação. Ela nunca disse uma palavra, mas era mais sábia do que muitas pessoas que conheço. Entende tudo, sabe tudo, vê tudo.


Sempre que eu chorava ela sentava ao meu lado e encostava o focinho em minhas lágrimas, depois deitava a cabeça no meu colo e ficava comigo em silêncio. Me ensinou a consolar as pessoas. Quando eu ria muito ela abanava o rabinho e lambia minhas orelhas. Ria comigo. Me ensinou a rir com os outros e não dos outros. Quando a alimentava ou fazia algo por ela, me acariciava com o focinho. Me ensinou a ser grata. E quando fazia algo que ela não gostava ela latia reclamando. Me ensinou que todos os sentimentos devem ser demonstrados, até mesmo os de desagrado.


Ela foi a felicidade da minha família por 12 anos. Muitas vezes foi mãe, irmã, filha e amiga. Sempre protegeu a todos, zelou nosso sono, foi nosso porto seguro, fonte de confiança. Hoje ela precisa da mãe, do pai, da irmã, de amigos. Precisa ser protegida e cuidada e todas as noites zelamos o seu sono. Não sei se ela está cansada, não sei se ela realmente entende. Ás vezes acho que ela está triste, preocupada. Só sei que ela merece uma folga. Eu desejo que seja fácil, indolor, calmo. Não quero que ela sofra nada, nem se sinta culpada ou se preocupe se vamos ficar bem. Não vou chorar na sua frente pra não te fazer sofrer.


Você é a melhor amiga que eu tive. A mais pura, verdadeira e duradoura companheira que alguém pode sonhar ter um dia. Eu quero que você seja feliz e completa e se você precisa ir, se já não pode mais, eu vou entender. Sei que agora você só está esperando. Não quero que tenha medo, estamos todos esperando com você.


Eu te amo Danny, nós te amamos muito...para sempre.




Obrigada por tudo...