sábado, 8 de janeiro de 2011

Danny


Você já assistiu o filme "Meu cachorro Skip"? Para quem nunca teve um animal de estimação ou, até mesmo, um bom amigo é só mais um filme de sessão da tarde. Para mim, desde a primeria vez que o vi, sempre foi uma das mais brilhantes traduções de amizade verdadeira. A história é simples: um garotinho e seu cachorro crescendo juntos.


A diferença é a essência. Ele não fazia nada de especial. Não participou do circo, não falava e muito menos foi à lua. Skip era sem sombra de dúvida o melhor amigo do garotinho e só. Foi o companheiro da infância, adolescência e juventude. Dedicou a vida inteira ao seu dono. Todos os seus melhores sentimentos e preocupações.


A Danny é meu Skip. Ela entrou na minha vida por conta de uma fita vermelha que tinha amarrada ao pescoço. Pequena e dourada, se destacava entre a nuvem de poodles. Eu a amei imediatamente. Ela não precisou fazer nada, apenas ser ela mesma. Tinha personalidade. Depois de muito choro amoleceu até o coração de um pai decidido. Foi meu presente de aniversário de 10 anos que se tornou o presente de todos os dias.


Seus choramingos noturnos combinados ao charme desajeitado de um filhote e à curiosidade interminável lhe renderam a posse de tudo: desde acesso irrestrito a casa até o amor incondicional da família. Carinhosa, ciumenta, meiga e geniosa. Sempre pareceu ter certeza que é uma pessoa e não uma cachorra. Sempre fez só o que queria e quando queria.


A Danny me ensinou que as melhores coisas da vida não tem muita explicação. Ela nunca disse uma palavra, mas era mais sábia do que muitas pessoas que conheço. Entende tudo, sabe tudo, vê tudo.


Sempre que eu chorava ela sentava ao meu lado e encostava o focinho em minhas lágrimas, depois deitava a cabeça no meu colo e ficava comigo em silêncio. Me ensinou a consolar as pessoas. Quando eu ria muito ela abanava o rabinho e lambia minhas orelhas. Ria comigo. Me ensinou a rir com os outros e não dos outros. Quando a alimentava ou fazia algo por ela, me acariciava com o focinho. Me ensinou a ser grata. E quando fazia algo que ela não gostava ela latia reclamando. Me ensinou que todos os sentimentos devem ser demonstrados, até mesmo os de desagrado.


Ela foi a felicidade da minha família por 12 anos. Muitas vezes foi mãe, irmã, filha e amiga. Sempre protegeu a todos, zelou nosso sono, foi nosso porto seguro, fonte de confiança. Hoje ela precisa da mãe, do pai, da irmã, de amigos. Precisa ser protegida e cuidada e todas as noites zelamos o seu sono. Não sei se ela está cansada, não sei se ela realmente entende. Ás vezes acho que ela está triste, preocupada. Só sei que ela merece uma folga. Eu desejo que seja fácil, indolor, calmo. Não quero que ela sofra nada, nem se sinta culpada ou se preocupe se vamos ficar bem. Não vou chorar na sua frente pra não te fazer sofrer.


Você é a melhor amiga que eu tive. A mais pura, verdadeira e duradoura companheira que alguém pode sonhar ter um dia. Eu quero que você seja feliz e completa e se você precisa ir, se já não pode mais, eu vou entender. Sei que agora você só está esperando. Não quero que tenha medo, estamos todos esperando com você.


Eu te amo Danny, nós te amamos muito...para sempre.




Obrigada por tudo...

Um comentário:

  1. Camila que lindo texto e que bom que vc está agindo da melhor maneira possível..se despedindo de sua amiga e deixando que ela parta sem sofrimento e pra não sofrer mais...parabéns amiga de face e de twitter...rs
    abraços: Cida (amiga de sua mãe)

    ResponderExcluir

Escreve aí o que você achou do que eu escrevi....ou escreve o que você não achou...ou escreve o que você quiser...ahhh...escreve aí!