segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um recado para a saudade

15 dias. Ainda escuto teus passinhos no nosso piso de madeira. Ainda te procuro quando entro em casa distraída demais com outras coisas da vida. Certos horários do dia me apertam o peito. Você estaria ali, pedindo comida, lançando o focinho pro alto, tentando capturar os aromas da cozinha. Tem horas que vejo você nos pensamentos do meu pai, nos olhos da minha mãe, que diz seu nome algumas vezes ao dia, sozinha e fica com lágrimas presas na garganta. Como estas minhas agora. Tento entender como as coisas aconteceram. Foi tão rápido e tão devagar. Não sei se tive tempo de te mostrar o quanto te amo, quão grata sou por todos os dias em que me amou incondicionalmente. Sabe o que é pior? O silêncio. E o silêncio dentro do silêncio. Ás vezes, quando estou quase dormindo apuro meus ouvidos em busca da sua respiração, aquela forte e rápida dos últimos tempos. Era a certeza de que, dentro do possível, você estava bem. Sei que foi melhor assim. Você foi fiel a esta família o tempo determinado para se tornar infinita. Uma hora não vai doer mais e aí as lembranças mais fortes serão as dos tempos em que você corria ladeira abaixo no estacionamento, ou quando eu te abraçava enquanto dormia, o cheiro das suas patas de pantufa e os seus vários tipos de latido, um para cada coisa, ocasião. E aí nós vamos ficar bem por aqui e você por onde quer que esteja. Neste ponto a saudade vai se tornar aquele sentimento bom, gostoso correspondente a tudo o que vivemos juntos. Não se preocupe se eu chorar um pouquinho está bem? É que o ser humano é um bicho muito estranho mesmo, quando a gente não dá conta do que sente nossos olhos ficam meio molhados. Vai entender...