quarta-feira, 23 de março de 2011

Rebelde sem calça!

Amor. A palavra está pendurada na parede do meu quarto há um par de anos. Todos os dias ela me encara. Manhã, tarde, noite. Ultimamente ela me vê demais. Meu quarto é meu exílio. Eu me exilei de mim mesma e do mundo porque me cansei. Cansei da desonestidade, da falta de emprego, cansei de dar explicações e principalmente: cansei daquele eu tão batido.
Cheguei no nível de estafa. Passei muito tempo na tentativa constante de ser o esperado. Por quem? Para quem? Me dei conta de que pouco deste tanto era para mim. E agora o vigente "grito de liberdade" está emperrado entre o peito e a voz. Não sai!!! Eu deveria ter sido uma garotinha má na infância e ter tido uma adolescência minimamente problemática. Assim hoje eu não temeria magoar as pessoas como se fosse a primeira vez, porque já estaria acostumada com a sensação.
A pior parte: a tal conquista pela liberdade não depende só da mudança brusca psicológica que provavelmente mudará minhas atitudes, mas depende também - e talvez até com maior importância - da independência. Depende da independência. Financeira. E mais um daqueles vários momentos em que se entende algo e o mundo dá um bom tapa nas nossas fuças. Sim, dinheiro é importante, o suficiente para ser indispensável. Nem por isto é a palavra que fica pendurada na parede do meu quarto.
Enquanto a ignorância é uma virtude, a mente vazia daquele que sabe mais do que gostaria é um inferno. Meus tempos livres são mal administrados. Penso o tempo todo e não foi Descartes que me ensinou que existo. Preferia sumir! Meu silêncio me enlouquece. Não há nada realmente interessante. Minha maior vontade é me esconder em um lugar tão bem escondido que nem eu mesma me encontraria, pelo menos por um tempo. Fico extremamente brava com facilidade, pelas coisas mais insignificantes.
Então, hoje eu fugi do exílio. Demorou, mas no meio do caminho, no meio do trânsito, os nós dos meus dedos segurando o volante se afrouxaram um pouco. Estava distraída. Uma criança ria muito no carro ao lado. Clichês. Antes que percebesse, estava sorrindo de novo.