quinta-feira, 8 de março de 2012

Menina-mulher

Jornalismo é um paradigma atemporal. Diariamente alimentamos o mundo com informação, ou melhor, “editamos” os fatos e publicamos o que se julga ser o mais importante, o mais “bacana”, aquilo que interessa para o leitor, ouvinte, telespectador... e depois dizem que médico que acha que é Deus.

Enquanto nos preocupamos com a notícia quente, por outro lado, somos escravos dos fatos sazonais. Páscoa, Dia das Mães, Dia Internacional da Mulher. Sempre vai ter o famoso feijão-com-arroz chato (considerado necessário) nas grandes mídias.

Hoje, por exemplo, se ligar a TV vai acompanhar uma reportagem com grandes mulheres: da dona de casa à presidente. Como se fosse uma grande novidade. Nós, mulheres, somos maravilhosas mesmo! Eu sei... Só o fato de sangrarmos por, pelo menos, três dias todo o mês e continuarmos vivas é uma coisa extraordinária.

Sempre quis fugir das matérias sazonais. Na faculdade fui explicitamente e categoricamente educada a pensar que este tipo de reportagem sempre ficaria chinfrim, ou seja, dificilmente eu conseguiria fazer algo novo com o tema batido. Uma grande contradição em uma era em que todos sabem que nada se cria e tudo se “copia”.

Foi assim que, pelos cliques da vida, observando facebooks alheios, li um texto que mudou meus conceitos. Eliane Boscatto, no site lounge.obviousmag.org, dá os parabéns às mulheres do mundo pelos ouvidos. Sim, pelos ouvidos! Inspirada por Chico Buarque e as mulheres de suas músicas, poderia dizer que Eliane (olha a intimidade!) foi a autora do melhor “Feliz Dia da Mulher” que li hoje.

Se ela se inspirou em Chico, eu me inspiro nela e em mim mesma. Em uma observação egocêntrica (talvez nem tanto) do meu eu, me parabenizo hoje pela mulher que estou me tornando. Com muito orgulho de manter a menina, dentro do mais puro parâmetro de que a mulher deixa a menina, mas a menina nunca deixa a mulher. Muito orgulho de acrescentar conceitos de tantas mulheres maravilhosas (minha mãe, minha irmã, minhas tias...) e somar aquelas pequenas coisas que nos fazem únicas.

Então parabéns a mim. Pelas conquistas, pelas burradas, pelas curvas, sorrisos, sensatez insensata. Parabéns a mim por me permitir viver feliz desde sempre, por me permitir amar intensamente e, por vezes, loucamente. Por superar meus receios mais íntimos e por tentar me superar mais e mais todos os dias.

Parabéns mãe e pai, por serem o alicerce deste eu. Parabéns Carol, por ser minha primeira musa inspiradora. Parabéns Napoleão, por me ajudar a me tornar mais mulher todos os dias. E um parabéns especial para a Eliane Boscatto, por hoje ter acendido em mim a fagulha que incendiou este texto.

6 comentários:

  1. Camila,
    Queria agradecer seus comentários. Seu texto é muito bonito,gostei demais.É bom quando alguém que escreve assim tão bem nos elogia.Parabéns à todas nós.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Eliane,

    Eu que agradeço por ter despertado em mim esta vontade louca de escrever sobre algo além dos meus deveres de trabalho. Há tempos que o meu blog andava às traças e você me inspirou muito. É um prazer estar "teclando" com alguém tão talentoso. Aguardo ansiosamente seu próximo texto.

    Beijos!!!

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pelos seus textos e opniões, eu muitas vezes me vi perdida em como me expressar mas você faz isto com muita clareza.

    Estou me tornando membro deste blog.
    Quero te Convidar para conhecer meu blog, Plástica Na Alma http://plasticanaalma.blogspot.com e vem ser membro e participar comigo da construção de um espaço livre e democrático de expressão "O BLOG".
    bjs

    ResponderExcluir
  4. Numa manhã de segunda-feira, ainda meio sonado, ler um texto desses e pensar que "quem fez fui eu" tambem me faz bem.
    Minha porção-mulher, proporcionada pelas tres lá de casa - a mais menina, essa Camila escrevente aí - não poderia estar mais feliz.
    Atrasadão, agradeço a voce com minhas lágrimas de felicidade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pai,

      Obrigada pelas palavras sempre tão bem colocadas. Na medida certa daquilo que a gente precisa ouvir ás vezes.

      Te amo muito!

      Excluir
  5. Ué, mas é crítica é aos meios de comunicação ou ao gosto das pessoas pelo assuntos. O jornalismo, como função social, atende às demandas de uma sociedade. Concordo com você quando diz que é tudo quase igual e que faltam muitas perspectivas sobre as coisas, mas será mesmo que só culpa de nós, veículos de comunicação?

    ResponderExcluir

Escreve aí o que você achou do que eu escrevi....ou escreve o que você não achou...ou escreve o que você quiser...ahhh...escreve aí!